O município de Pará de Minas, há quatro anos, perdia a capação do Rio Paraopeba devido à contaminação pelo rejeito resultante do rompimento da barragem de Brumadinho. A concessionária Águas de Pará de Minas deixava de captar cerca de 7 milhões de litros de água por dia. O ocorrido causou pânico da cidade, uma vez que o Sistema de Abastecimento do Paraopeba foi construído em 2015, em apenas 5 meses, para resolver o problema de escassez hídrica que assolava os moradores. Assim, começava uma grande missão para toda equipe da empresa: garantir o fornecimento de água para cerca 100 mil habitantes sem operar o seu principal manancial. A empresa garantiu, com diversas ações no decorrer de dois anos, o abastecimento de Pará de Minas, sem interrupções. A agilidade com que a concessionária se posicionou foi determinante para a continuidade da prestação dos serviços.
A primeira semana
A situação se agravou assim que a tragédia foi anunciada. No dia 25 de janeiro de 2019, o atendimento presencial foi informado sobre o acontecido em Brumadinho. Em paralelo, a informação chegou ao conhecimento da gestão local e corporativa. No Centro de Controle Operacional (CCO), a equipe constatou um aumento de 57% no volume de água distribuído. Isso demonstrava que as pessoas estavam armazenando água e o pânico da população de reviver o cenário de escassez. Reuniões foram feitas, contato com a mineradora Vale, monitoramento da mancha de rejeitos de minério no rio, verificações de qualidade a cada trinta minutos, entrevistas com a grande imprensa e várias outras ações, até que, no dia 29, a contaminação do Rio Paraopeba inviabilizasse a captação no manancial, instalando-se um contexto iminente de desespero.
“Relembrar esse momento requer muita sensibilidade, principalmente pelas vítimas e por todos os impactados por esse episódio triste e marcante na história do nosso país. Em Pará de Minas, o efeito foi resultante da contaminação do rio. Perdemos a nossa principal fonte de abastecimento e isso nos trouxe situações e aprendizados inimagináveis até aquele momento. Guiados pelo nosso compromisso com o município, conseguimos superar todos os desafios e, orgulhosamente, asseguramos o abastecimento da cidade por dois anos, até a entrega de um novo ponto de captação. Isso só foi possível graças ao envolvimento e comprometimento de todos os colaboradores, Prefeitura Municipal de Pará de Minas, Ministério Público e a parceria da população. Esse trabalho deve ser lembrado e reconhecido”, destacou o diretor da Águas de Pará de Minas, Rodrigo Macool.
Frentes de trabalho
Para manter a cidade abastecida, foram criadas frentes de trabalho para que a falta da principal captação não causasse desabastecimento ou racionamento de água. As frentes tinham como objetivo a articulação com órgãos envolvidos, obras emergenciais, análise para retorno ou substituição da captação, comunicação com a imprensa e clientes, monitoramento para entender o que estava acontecendo com o Rio Paraopeba, reabilitação do plano de contingência para reativação de poços, revisão da modelagem hidráulica e setorização do abastecimento para sua otimização, além de contato direto com as áreas corporativas do Grupo Águas do Brasil para verificar as obras emergenciais necessárias e a obra definitiva que, novamente, resolveria a questão do abastecimento.
Comunicação com imprensa e clientes
A área de Comunicação estabeleceu contato direto com a população por meio de seus canais e da imprensa local/nacional. A área de atendimento ampliou as equipes para propiciar um retorno ágil e eficiente sobre a situação do abastecimento. O objetivo era reforçar o compromisso da empresa de só fornecer água de qualidade e destacar que todas as ações cabíveis estavam em andamento. Desta forma, os moradores de Pará de Minas continuaram a confiar na prestação dos serviços e se mostraram mais calmos.
TAC e obras emergenciais
Todas as medidas tomadas em um trabalho conjunto entre Águas de Pará de Minas, Prefeitura Municipal de Pará de Minas e o Ministério Público resultaram em um Termo de Compromisso (TC), assinado pela Vale, que assegurou ações emergenciais para amenizar o impacto da interrupção da captação do Rio Paraopeba. Entre as principais, a ativação de poços profundos, garantindo uma vazão de 52 litros por segundo (l/s), e a construção de uma nova captação no Ribeirão Cova Danta, com capacidade para 96 l/s.
Solução definitiva
Após vários estudos, a concessionária foi a responsável por indicar a solução definitiva: a construção de um novo ponto de captação de água, no Rio Pará. O sistema, construído pela Vale com acompanhamento técnico e validação da Águas de Pará de Minas, foi entregue em abril de 2021. A adutora possui 48 km de extensão e a vazão é de pouco mais de 1 milhão de litros por hora, mesma outorgada para o Rio Paraopeba.
Com essas ações, a empresa garantiu, no decorrer de dois anos, o abastecimento da cidade, sem interrupções. A rapidez com que a concessionária se posicionou e passou a ter o efetivo controle foi determinante para continuidade da prestação dos serviços.
Case de sucesso
O sucesso diante da crise enfrentada colocou a concessionária em posição de destaque no setor. O case foi apresentado no Seminário de Benchmarking do Prêmio Nacional da Qualidade em Saneamento. Na oportunidade, a gerente de Operações, Márcia Freiberg, apresentou o Gabinete de Crise que permitiu mobilizar e gerir, em tempo recorde e de forma inovadora, todos os recursos humanos e materiais necessários para a solução do problema, resultando na entrega da nova adutora.
“A boa gestão no case de Brumadinho ampliou a nossa visibilidade. Somos referência no Brasil e nos orgulhamos disso. Pará de Minas saiu de um cenário de falta d’água e, hoje, possui índices elevados de saneamento. No futuro, quando a captação de água do Rio Paraopeba estiver autorizada, será beneficiada com duas grandes captações de água, contribuindo, ainda mais, para o crescimento e desenvolvimento sustentável do município. Seguiremos firmes com o propósito de melhoria contínua para manter a nossa cidade como destaque ”, finalizou Márcia.
